História em Movimento

Vivendo história a todo momento O blog História em Movimento tem a proposta de ajudar as pessoas a compreenderem o mundo onde vivem. História em Movimento aborda antigos fatos históricos que influenciam a humanidade até os dias de hoje.O blog vem mostrar também como aprender história de uma forma divertida.

Tuesday, October 24, 2006

Futura Comandante

Thursday, October 19, 2006

Evolução da Aviação

Homenagem ao centenário do 14 Bis

Alberto Santos-Dumont nasceu a 20 de julho de 1873 em Santa Luzia do Rio das Velhas, hoje cidade de Santos-Dumont, depois de ter sido denominada cidade de Palmira por dilatados anos. Era filho do engenheiro Henrique Dumont e de D. Francisca de Paula Santos. Faleceu em Guarujá - São Paulo - em 23 de julho de 1932. Eleito membro da Academia Brasileira de Letras em 4 de junho de 1931, não chegou a tomar posse de sua cadeira.
De família abastada, o jovem Alberto iniciou os estudos no Brasil mas, ainda muito novo passou a estudar em Paris.
Recebeu a influência da leitura de alguns dos inúmeros romances de Júlio Verne, que empolgaram várias gerações de leitores.
Em Paris, fiel leitor do escritor francês, manifestou enorme interesse pela construção de balões. A 18 de setembro de 1898, fez subir ao espaço o primeiro de uma série desses engenhos.
Uma grande vitória foi conseguida em 12 de julho de 1901, quando, partindo de um ponto conseguiu retornar ao mesmo local da partida. O fato teve grande repercussão e, por não ser francês, recusou Santos-Dumont a cruz da legião de Honra que lhe foi oferecida. No mês seguinte, o Aéro Clube da França concedeu-lhe uma medalha de ouro.
Satisfeito com os resultados conseguidos na dirigibilidade de seus balões, Santos-Dumont, em 19 de outubro de 1901, apresentou-se para disputar o prêmio Deutsch de la Meurthe, cujo itinerário consistia na circumnavegação da Torre Eiffel dentro do prazo de trinta minutos. Conseguiu realizar a façanha. O prêmio de 100.000 francos foi dividido pelo vencedor entre os pobres de Paris e os mecânicos que com ele haviam trabalhado na construção dos aparelhos voadores.
Por sua vez o Congresso Brasileiro aprovou a concessão de 100 contos de réis em lei sancionada pelo Presidente da República, Campos Sales, que enviou a Santos-Dumont o seguinte telegrama:
"Tenho o prazer de informar-vos que, hoje, data memorável para o nosso País, assinei a lei votada pelo Congresso Federal vos concedendo, como prova de reconhecimento nacional, cem contos de réis, em memória do brilhante sucesso que alcançastes no vosso ensaio aeronáutico de 19 de outubro".
O Aéro Clube de Paris ofereceu-lhe um banquete no dia 5 de novembro de 1901. Em 1904 foi editado o livro "Dans l’Air", que em português seria divulgado com o título de "Os meus balões"- 1ª edição em 1938. Em 1905 iniciou Santos-Dumont suas experiências com "o mais pesado do que o ar"- o aeroplano.
No ano seguinte, obteve grande êxito com o aparelho "14-Bis", em experiências no Champ de Bagatelle. Neste local, a 12 de novembro de 1906, sob controle do Aéro Clube da França, estabeleceu os primeiros recordes de aviação do mundo.
No dia 19 de outubro de 1913 o Aero Clube da França inaugurou em Saint-Cloud um monumento a Santos-Dumont, representando o lendário Ícaro numa estátua de bronze.
Em 1918 o Governo Brasileiro doou a Santos-Dumont a casa em Cabangu onde nascera perto da estação de Palmira, em Minas Gerais.
No Segundo Congresso Científico Pan-americano, proferiu, a 4 de janeiro de 1916, uma conferência intitulada - "Como o aeroplano pode facilitar as relações entre as Américas".
Aos 59 anos de idade, suicidou-se Santos-Dumont, em 23 de julho de 1932, em Guarujá, São Paulo, profundamente traumatizado, ao que se presume, com o desenrolar do movimento revolucionário irrompido a 9 do referido mês, nos Estados de São Paulo e Mato Grosso.
Em 1931 a Academia Brasileira de Letras o elegera para ocupar a cadeira nº 38, vaga pelo falecimento do romancista Graça Aranha. Não chegou a tomar posse e, em seu lugar foi escolhido o escritor Celso Vieira.
A 31 de julho de 1932, a cidade de Palmira teve mudado seu nome para Santos-Dumont. Em 22 de setembro de 1959 foi concedido ao pioneiro da aviação o posto honorífico de Marechal-do-Ar e seu nome continuou a encabeçar a lista de oficiais-aviadores, no Almanaque do Ministério da Aeronáutica.

Tuesday, October 10, 2006

O país em sufoco

Dom Pedro I

História da Dívida Externa Brasileira

Origem da Dívida Externa Brasileira
A Dívida externa deu um salto gigantesco durante o período dos anos de chumbo do regime militar ( 1964 – 1985 ), no entanto ela teve início com a Independência do país, no século XIX.
No ano de 1824, foi obtido pelo governo imperial o primeiro empréstimo externo do Brasil, cuja cifra era de 3 milhões de libras esterlinas e foi chamado de ´´empréstimo português“, cujo destino era pagar dívidas da era colonial e que na verdade significava pagar à Portugal pelo reconhecimento de nossa independência.
A independência não mudou a estrutura sócio-econômica do país restringindo-se somente a um movimento político extremamente fraco, permanecendo o governo monárquico e o herdeiro português no trono, que ficou do lado dos latifundiários conservadores sob o comando de José Bonifácio. Essa indenização à Portugal que foi aceita pelo Brasil, tem ligação com vínculos mantidos com o país lusitano e ao mesmo tempo aos interesses da Inglaterra, que só reconheceu nossa liberdade depois do acordo com o governo português.
Em 1829 foi feito outro empréstimo que ficou conhecido historicamente com ´´o ruinoso“ e teve o objetivo de cobrir parcelas não pagas do empréstimo de 1824. Do valor total que foi emprestado, o Brasil recebeu somente 52%, pois o resto foi utilizado para cobrir os juros da dívida anterior.
Mais dois novos empréstimos muito importantes foram feitos durante o Império em 1843 e 1852. Esses empréstimos foram usados ainda para pagar débitos relativos ao primeiro empréstimo, que foi totalmente pago em 1890.
Dentro desse período o Brasil aumentou ainda mais sua dívida com a Guerra contra o Paraguai que foi de 1864 à 1870. A Inglaterra forneceu navios, armamento e dinheiro ao Brasil para a guerra que também a interessava.


A Primeira República do Brasil
Na época da república do ´´café com leite“ a dívida subiu ainda mais, porém a principal idéia continuava a mesma, ou seja, garantir os privilégios da elite. O presidente Campos Salles, foi a Inglaterra antes de sua posse, para fazer uma renegociação da dívida com os banqueiros ingleses da Casa Rotshild, e conseguiu um acordo que se chamou ´´Funding Loan“, que colocava em suspensão o pagamento por um tempo de 13 anos, sendo que os juros seriam quitados em 3 anos, em títulos da dívida pública e obtinha um novo empréstimo. Como garantia do cumprimento do acordo, todas as rendas alfandegárias brasileiras ficaram hipotecadas aos credores britânicos.
Surgiu um novo endividamento em 1906, que representou o começo da ´´Política de Valorização do Café“. Neste ano, foi assinado o famoso Convênio de Taubaté, entre os governos de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que, com a obtenção de dinheiro tomado no exterior, comprariam e estocariam todo o excedente da produção cafeeira. Essa, como outras políticas protecionistas, solucionava o problema urgente da burguesia paulista e mantinha o nível de emprego nos setores econômicos ligados ao café, todavia afetava negativamente a maioria do povo, na medida em que setores importantes eram colocados em segundo plano em relação a investimentos, além de causar a desvalorização da moeda, dando origem a um processo que ficou conhecido como ´´socialização das perdas“, ou seja, a maioria da sociedade pagava pela política que trazia benefícios para a minoria.
Os governos do período continuavam a realizar empréstimos que ajudavam os grandes cafeicultores, em contraste com o momento de crise nas exportações durante a Primeira Guerra Mundial ( 1914 – 1918 ) e mais tarde, na metade da década de 20.
Com a crise econômica de 1929 nos EUA afetando a economia brasileira, o pagamento da dívida sofreu uma suspensão em 1931 por decisão única do Brasil.
No ano de 1934 a Assembléia Nacional Constituinte começou uma investigação da dívida nacional, que chegava a 237 milhões de libras esterlinas e foi documentado nos mínimos detalhes pelo ministro Oswaldo Aranha.
Oswaldo Aranha depois de viver algum tempo nos EUA, defendia um estreitamento das relações do Brasil com aquele país, em detrimento dos interesses ingleses, até o momento nossos grandes credores. Ele condenava o modo como os empréstimos foram usados, não em obras públicas, como pensava que deveria ter ocorrido. Oswaldo Aranha pensava também que o Brasil deveria parar de fazer empréstimos para pagar empréstimos e deveria pagar com seus próprios meios.

A dívida nas últimas décadas
Mesmo com a falta de empréstimos externos e da situação desfavorável do comércio exterior, na década de 30 a economia brasileira sofreu uma expansão num ritmo mais acelerado do que na década anterior, uma época de enorme ingresso de capital estrangeiro.
No período pós-64, ou seja, após o golpe militar os empréstimos voltaram a crescer substancialmente, por causa da política econômica desenvolvida então, precisamente na época do ´´milagre econômico“, quando a indústria do país cresceu a taxas altíssimas devido ao ingresso em massa de capitais externos, o que fez a dívida pular de 4 para 12 bilhões de dólares.
O endividamento pós-64 ocorreu em dois momentos. O primeiro foi nos governos Costa e Silva e Médici, nos anos 68-73, do ´´milagre econômico“. Nesse período, os empréstimos foram usados para, no fim das contas, realizar operações de crédito na compra de geladeiras, secadores de cabelo, automóveis e outros produtos supérfluos e ainda foram usados para financiar grandes obras urbanas e serviços que tornaram viáveis a existência dos carros e das geladeiras, tais como estradas, viadutos e redes de energia elétrica.
No fim do ano de 1983, num depoimento na CPI da dívida externa, o economista Celso Furtado que foi ministro do Planejamento antes do golpe militar, disse como o Brasil pós-64, graças a alterações de política financeira e cambial nas regras de mudança do dólar em cruzeiros, acabou na verdade pagando, por meio do Banco Central, para os empréstimos estrangeiros, parte do preço de carros e secadores de cabelo, que foram comprados a crédito obtido com o empréstimo de dólares.
O segundo momento do endividamento inicia no governo Geisel ( 1974-79 ). Começa em 1974 um encalhamento da indústria de bens de consumo duráveis, com a liderança da produção de automóveis, em razão principalmente da crise mundial do petróleo, que acaba repercutindo em aumento nas taxas de juros, que são somadas aos gastos dos faraônicos projetos de geração de energia.
Em 1982 aconteceu a falência declarada do modelo brasileiro de desenvolvimento e o país busca ajuda do FMI e quando chega o final do governo Figueiredo, último governo militar, a dívida externa chegava a casa de 100 bilhões de dólares.
Atualmente nossa dívida está na casa dos 231 bilhões de dólares.